quarta-feira, 29 de agosto de 2012



   Fique por dentro:
A tensão pré-menstrual (TPM) pode ser dividida em quatro categorias:
  1.     Ansiedade pré-menstrual: é caracterizada pela elevação dos estrogênios e baixa da progesterona no sangue, sendo os sintomas, ansiedade, irritabilidade, insônia e depressão.
  2.      Desejos alimentares pré-menstrual: são caracterizadas por uma evidência de hipoglicemia reativa, sendo os sintomas, desejo de comer doces,aumento do apetite, cefaléia, palpitações e cansaço ou sensação de desfalecimento.
  3.       Depressão pré-menstrual: é caracterizada pelo aumento dos níveis de progesterona mais tarde no ciclo menstrual e possível aumento dos hormônios masculino (andrógenos).Os sintomas são depressão, esquecimento, confusão e letargia. 
  4.      Retenção hídrica pré-menstrual: caracterizada pela retenção de sódio e possivelmente elevação da aldosterona (hormônio que afeta a retenção de líquido). Os sintomas relacionados são o ganho de peso acima de 1,4 quilo, a congestão de mamas, a distensão abdominal e o edema da face e extremidades.

  5. Dicas de alimentos:

  •   Vitamina B6 – Contra enjôo, cefaléia e irritabilidade. Boas fontes: arroz integral, germe de trigo, aveia, amendoim, nozes, batata, banana, salmão, atum, fígado de boi.
  •      Proteína de soja – Parece diminuir sintomas como cefaléia, dores nas mamas e diminuição do inchaço. Boas fontes: alimentos enriquecidos com a proteína de soja como, sucos, bolachas, pães e barra de cereais 
  •       Vitamina E – Evita cefaléia, dores nas mamas e cólicas. Boas fontes: cereais integrais, noz, castanhas, azeite de oliva, azeitona, óleo de soja e de girassol, milho, gema de ovo, agrião.
  •         Cálcio – Alivia as cólicas e nervosismo.Boas fontes: leite e derivados, vegetais e folhas verde escuro,com couve e brócolis. 
  •            Magnésio – Este mineral tem função complementar às funções do cálcio. São boas fontes de magnésio as folhas verdes escuras.
  •       Ácidos graxos -  Reduz irritabilidade e dores nas mamas.Boas fontes: óleo de peixe marinho e frutos do mar (ricos em ômega 6 e ômega 3).Excelentes fontes são salmão e atum. Vale ressaltar que tais alimentos são indicados para amenizar os sintomas neste período, porém é importante também evitar o consumo de alimentos ricos em gordura, sal, embutidos e conservas, açúcares e alimentos com alto teor de cafeína (café, chá preto e mate, coca-cola e guaraná), pois são agravantes do quadro.


Alimentos que podem ajudar o nosso humor e nos levar a ser mais feliz, pois fortalecem o nosso sistema nervoso e equilibram a química do corpo:

Feijão preto, fígado, carnes magras, gema de ovo (ferro);
Semente de abóbora (magnésio);
Soja (cobre, fitoestrógeno);
Banana, leite e derivados, passas, aveia e grãos integrais (arroz, centeio, grão de bico, ervilha, lentilha) – triptofano;
Vegetais folhosos (alface, rúcula, brócolis, espinafre...) – ácido fólico,
Peixes (sardinha, atum, salmão, arenque, cavala), linhaça – ômega 3;
Noz e castanha do Pará (selênio, vitamina B1 e B2);
Abacaxi, laranja, melão, melancia, banana (potássio);
Levedo de cerveja, gérmen e farelo de trigo (vitamina B6);
Fibras presentes nos cereais integrais, frutas e vegetais – ajudam a equilibrar o açúcar no sangue controlando o apetite e aumentando os níveis de serotonina;
Maça – possui actinina, uma enzima que melhora a circulação sanguínea; rica em vitamina A, B1, B2, FÓSFORO e POTÁSSIO – combate o estresse e a fadiga.
Uva – complexo B, garante o bom funcionamento do sistema nervoso e ajuda o nosso organismo a gerar energia.

domingo, 19 de agosto de 2012

Tecido adiposo: atividade metabólica e inflamatória:


Tecido adiposo: atividade metabólica e inflamatória:
Nos mamíferos existem 2 tipos de adipócitos: os adipócitos branco, que armazenam energia na forma de triglicerídeos (TG),e os adipócitos marrom, que exercem um papel fundamental na produção de calor e na manutenção da temperatura corporal.
                O tecido adiposo é essencial para a manutenção do equilíbrio energético. Os adipócitos são células altamente especializadas no desempenho de funções reguladoras na homeostase. Sua função primária e mais conhecida é a de funcionar como um local de estoque de energia. O acúmulo de calorias na forma de TG é realizado pela insulina, e a liberação dessa energia para a circulação sistêmica na forma de ácidos graxos livres (AGL), durante o jejum é realizada pelas catecolaminas por meio dos receptores beta-adrenérgicos. A diferenciação do adipócito é um processo regulado por diversos genes, como receptor gama ativado pelo proliferador de peroxissomos (PPAR- Y) E CCAAT/Enhancer brinding proetin alfa (C/EBP – α), que determinam a diferenciação adipocitária.
                O tecido adiposo proveniente de animais obesos apresenta significativo aumento no fator de necrose tumoral alfa (TNT-alfa), uma das principais citocinas pró-inflamatórias envolvidas na resposta imune, assim evidenciando uma nova perspectiva sobre a biologia do tecido e mostrando que a obesidade e a resposta inflamatória estão relacionadas.
                O tecido adiposo desempenha importante papel na regulação energética por vias autócrina, parácrina e endócrina. Essas funções possibilitam ao adipócito influenciar a atividade metabólica de outros tecidos como cérebro, hipotálamo, músculo, fígado e células beta pancreáticas. Assim, as células adiposas desempenham uma função muito mais dinâmica do que se julgava, influenciando mecanismos fisiológicos de sua própria diferenciação, crescimento e regulação da homeostasia

COMO OCORRE A REGULAÇÃO DOS DEPÓSITOS DE GORDURA NO TECIDO ADIPOSO BRANCO?
                Os estoques de glicogênio são muito pequenos para abastecer o organismo em situações de jejum, portanto, a gordura acumulada em forma de TG é o estoque de energia alongo prazo. A quantidade de gordura acumulada é o reflexo do equilíbrio entre o consumo e o gasto calórico ao longo do tempo, sendo o conteúdo de TG nos adipócitos um índice do acúmulo de gordura e sua mobilização.
                A insulina estimula a deposição de gordura (lipogênese) ativando a lipoproteína lipase (LPL), que retira ácidos graxos das lipoproteínas ricas em TG; há também, o cortisol, que funciona como hormônio lipogênico em certos locais (gordura troncular) e lipolítico em outros (gordura periférica); as catecolaminas podem estimular a mobilização de gordura via ativação de receptores beta-adrenérgicos, ou inibi-la via ativação de receptores alfa-adrenérgicos. A lipólise é ativada via fosforilação da perilipina (PER). A fosforilação da PER permite que a HSL acesse as gotículas de lipídios, o que resulta na hidrólise do TG em AGL, que serão liberados na circulação.
                A combinação de expansão dos adipócitos e sua capacidade de diferenciação sugerem que a capacidade de estocar energia não tem limite. É provável que a resistência à insulina (RI), em especial à sua ação no adipócito, bloqueie a adiposidade, dificultando a lipogênese e a diferenciação adipocitária e limitando a progressão da obesidade.
                A expansão dos estoques de gordura, em especial a diferenciação celular, depende da disponibilidade de novos vasos sanguíneos. A angiogênese no tecido adiposo parece estar regulada por fatores como a leptina. A inibição da angiogênese em animais pode bloquear o ganho de peso induzido por dieta hipercalórica.
                Nas situações de balanço negativo de energia, existe uma redução dos estoques de TG. Durante este processo há um “esvaziamento” do adipócito até sua morte programada (apoptose). O processo de diferenciação e apoptose de adipócitos desempenha importante papel na homeostasia humana, sendo um vasto campo de pesquisa ainda pouco explorado.
                A deposição de gordura é também estimulada por estímulos nervosos. Tanto a via simpática quanto a parassimpática podem modular a lipólise; podemos considerar a ação simpática como controladora do catabolismo (lipólise) e a via parassimpática, controladora do anabolismo (lipogênese). A importância da regulação e a possível desregulação dessas vias nervosas são pouco conhecidas na espécie humana, mas o seu conhecimento poderá constituir-se em um alvo terapêutico seguro para o tratamento da obesidade.


TECIDO ADIPOSO MARROM:
                O TAM é composto por adipócitos que possuem uma composição molecular única. O citoplasma do adipócito marrom contém inúmeras gotículas de lipídeos (denominado multilocular) e muitas mitocôndrias, as quais são bem desenvolvidas, apresentam grande número de cristas e possuem uma proteína singular, específica do TAM, denominada proteína desaclopadora 1 (UPC1). Diferente da gordura branca, que é pouco vascularizada, o TAM é altamente vascularizado, fenômeno resultante da alta expressão de fatores angiogênicos.
                Até recentemente, não existiam evidências concretas da presença de quantidades significativas de TAM em humanos adultos, na região cervicossupraclavilcular.  A análise de biopsias destes tecidos detectou a presença de PRDM16, receptor alfa ativado por proliferador do peroxissomo (PGC1-α) e UPC1, proteínas específicas de TAM. Portanto, hoje se acredita que humanos adultos apresentam quantidades significativas de TAM.  
                A principal função do TAM é produzir calor, um processo também conhecido como termogênese. Ao contrário do TAB, que acumula energia na forma de TG, o TAM utiliza a energia destes para converter em calor; o no frio, o TAM contribui com 60 a 70% do calor produzido.
                A situação da produção de calor no TAM está associada ao aumento do número e da atividade das mitocôndrias, um fenômeno  controlado pelo coativador do receptor ativado por peroxissomo, o PGC1- α. O PGC1- α tem sua expressão elevada durante a exposição ao frio e interage com fatores trasncricionais. A presença de PGC1 – α é essencial para o processo termogênico no TAM.
                O principal mecanismo de produção de calor no TAM decorre da atividade da UPC1, uma proteína presente na membrana mitocondrial interna. Essa proteína atua desacoplando a gradiente de prótons gado pela fosforilação oxidativa da síntese de trifosfato de adenosina (ATP). Acredita-se que, por este mecanismo, a UPC1 dissipe, na forma de calor, a energia contida no gradiente eletroquímico que seria utilizada para sintetizar ATP.
                A ativação do desacoplamento mitocondrial e da termogênses no TAM depende da ação conjunta do sistema adrenérgico (catecolaminas) e dos hormônios tiroidianos. A ação das catecolaminas, principalmente a norepinefrina, é mediada pelos receptores β3-adrenérgicos, que são altamente expressos na membrana dos adipócitos marrons. A ativação dos receptores β3 promove o aumento da termogênese no TAM por 2 mecanismos relacionados com a produção de cAMP. Em 1 deles, o cAMP ativa prteinoquinase A, que por sua vez fosforila um fator de transcrição denominado elemento de ligação (CREB), que vai até núcleo e ativa a desiodase tipo 2 (D2) – enzima que converte o hormônio tiroidiano T4 em T3, a forma ativa, e o da UPC1. O aumento dos níveis de T3 gerados pela D2 também contribuem para ativação da expressão da UPC1 e dos próprios receptores adrenérgicos, portanto ampliando esta sinalização. O aumento de cAMP também promove a ativação da lipólise, elevando os níveis de ácidos graxos, que, por sua vez, estimulam diretamente a atividade da UPC1, aumento sua permeabilidade a prótons.
                Por sua alta atividade metabólica, o TAM é um tecido determinante do peso corporal. A recente identificação do TAM em humanos adultos revitalizou o estudo desse tecido, principalmente no que se refere as suas propriedades antiobesidade, então, o aumento da atividade desse tecido no organismo poderia contribuir para a diminuição do peso corporal.

 Retirado do livro: R.B – Tratado de Obesidade; Manciini M. C. et all, 2010.